Cruz Dehoniana

A origem da Cruz Dehoniana

A história da Cruz Dehoniana remonta aos tempos de Pe. Dehon, o fundador da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, os Dehonianos, em 1978.

Mais exatamente,

podemos fazer memória do que viveu Pe. Dehon na década de 1880. Segundo escreve Pe. David Quintal, ela foi terrível para Pe. Dehon. Os motivos de sofrimento e de humilhação surgem e sucedem-se: paralisia da mãe em 1880, incêndio no Colégio São João em 1881, a morte do pai em 1882, atitudes críticas por parte do Bispo de Soissons, suspensão da Congregação de 1883 a 1884 e ainda a situação instável de sua própria saúde.

Envolto em tanto sofrimento, Pe. Dehon apenas repetia:

“Posso apenas pronunciar o meu Fiat, o meu Faça-se.”
Anos mais tarde, recordando estes acontecimentos, ele escrevia: "Sabe Deus aquilo que sofri naqueles dias de morte. Sem uma graça especial, teria certamente perdido a razão ou a vida. Que angústias, que dilacerações! A cruz que mais pesa não é a que buscamos, mas a que vem dos homens ou dos acontecimentos da vida. Uma vítima de amor sabe que não tem escolha. Deve pura e simplesmente imolar-se sem lamentos e sem preferência."
Numa dessas longas noites de insônia e de sofrimento, Pe. Dehon sonhou que estava abraçado a uma cruz. Era uma cruz do seu tamanho, feita à sua medida. O seu rosto encostado ao madeiro, o peito bem apertado no centro da cruz. Abraçava-a com todas as suas forças a ponto de sentir o coração despedaçar-se. Passado algum tempo, deixou-se cair, exausto e sem forças, mas a cruz permanecia direita, de pé no seu lugar, sem tombar. Pe. Dehon levantou os olhos para essa cruz. Ela estava diferente, tinha outra apresentação: no seu centro via-se perfeitamente recortada a forma de um coração. O que teria acontecido? Inquieto, orientou o seu olhar para o seu peito. Também este estava com um aspecto diferente: tinha recortada nele a forma de uma cruz.

Ao acordar, o Pe. Dehon ainda se lembrava da sua visão:

"Uma Cruz com um Coração e um Coração com uma Cruz".
Pouco a pouco foi compreendendo que aquele sonho era o prenúncio de um compromisso, como mais tarde escreveu no seu Diretório Espiritual: "É preciso abraçar a cruz com amor, levá-la com coragem e alegria, desejá-la com ardor como o tesouro maior e mais seguro... Não basta levar a cruz externamente e por necessidade. As cruzes carregadas com coragem e amor são fontes de graça para todas as nossas obras e para todas as almas recomendadas por nós ao Senhor. A cruz é tão necessária que Jesus tem feito dela a medida da nossa glória..." Era a sua maneira própria de viver o conselho de Jesus no Evangelho: "Quem quiser seguir-me, tome a sua cruz (abrace sua cruz) e siga-me”.
Aquela cruz que ele abraçava era realmente a sua própria cruz. Mas aquele coração, nela recortado, de quem seria? O seu ou o de Cristo? Com certeza era o coração de Cristo, que estava bem no centro da sua vida. Era Cristo, Coração do Homem, Coração do Mundo. Era um coração desenhado no vazio, quase a querer moldar o coração do homem. E no seu peito, aquela cruz no seu próprio coração, de quem seria? Era a cruz de Cristo, a quem muito amava. Era uma cruz cravada no coração do homem como um sinal indelével do amor que Deus é. A partir desta experiência, Pe. Dehon ficou em dúvida sobre o símbolo a escolher para a sua vida ou o seu jeito específico de viver o Evangelho. Podia tanto ser um coração com uma cruz como poderia ser também uma cruz com o coração. Optou pela primeira proposta. Inspirado pelo seu sonho, tomado de amor pelo Coração de Jesus, Pe. Dehon escreve em seu diário no dia 23 de maio de 1886: “Para o nosso Brasão escolhi o Sagrado Coração na Cruz...” (Cf. NQ III, 26). O primeiro Brasão da Congregação trazia o sonho de Pe. Dehon e a frase “Venha o teu Reino”. É por isso que o Pe. Dehon assinava as suas cartas e mensagens com a expressão latina, logo antes do seu nome: In Corde Jesu - isto é, no Coração de Jesus. Há mais de um século este é o Brasão oficial da Congregação. No seu diário ele escreve em agosto de 1886: “Minha decisão é de viver e morrer como uma verdadeira oferta ao Coração de Jesus”.

Em seu leito de morte em Bruxelas,

na Bélgica, em 12 de agosto de 1925, olhando para a imagem do Sagrado Coração de Jesus ele disse pela última vez o compromisso de sua vida:

“Por ele vivi, por ele morro”.

 
 
Em seu testamento espiritual lemos: “Deixo-vos o mais maravilhoso dos tesouros, o Coração de Jesus”. A dinâmica da Congregação mudou, os tempos mudaram e como já dizia Pe. Dehon: “Um homem que quer mudar a sociedade não pode ter ideias tímidas”. Esta frase foi e é motivação para muitos dos trabalhos desenvolvidos pelos religiosos dehonianos pelo mundo afora.
Foi nesse espírito que aconteceu em 1978, em Handrup, norte da Alemanha, o primeiro Festival da Juventude Dehoniana, marcando o centenário da Congregação. Este Festival foi preparado e organizado por jovens padres, professores e formadores das duas grandes escolas da Província alemã: St. Sebastian e Gymnasium Leoninum. A participação foi tão entusiasmada e o engajamento tão forte que já no ano seguinte foi organizado um segundo Festival da Juventude no Colégio St. Sebastian na cidade de Stegen, sul da Alemanha. Outra vez a participação dos jovens impressionou. Cerca de mais de mil jovens participaram ativamente do Encontro. Seus idealizadores foram Pe. Franz Hoch e Pe. Heinz Faller. Para ambos os Festivais foram desenhadas cruzes para serem usadas e estampadas como símbolos. Os dois desenhos eram muito diferentes entre si, mas a cruz desenvolvida em 1979 no Colégio St. Sebastian foi melhor recebida pelos participantes e ficou conhecida como a Cruz de Stegen. Seu idealizador foi o professor de artes daquela escola, Sr. Erhard.
Foi nesse espírito que aconteceu em 1978, em Handrup, norte da Alemanha, o primeiro Festival da Juventude Dehoniana, marcando o centenário da Congregação. Este Festival foi preparado e organizado por jovens padres, professores e formadores das duas grandes escolas da Província alemã: St. Sebastian e Gymnasium Leoninum. A participação foi tão entusiasmada e o engajamento tão forte que já no ano seguinte foi organizado um segundo Festival da Juventude no Colégio St. Sebastian na cidade de Stegen, sul da Alemanha. Outra vez a participação dos jovens impressionou. Cerca de mais de mil jovens participaram ativamente do Encontro. Seus idealizadores foram Pe. Franz Hoch e Pe. Heinz Faller. Para ambos os Festivais foram desenhadas cruzes para serem usadas e estampadas como símbolos. Os dois desenhos eram muito diferentes entre si, mas a cruz desenvolvida em 1979 no Colégio St. Sebastian foi melhor recebida pelos participantes e ficou conhecida como a Cruz de Stegen. Seu idealizador foi o professor de artes daquela escola, Sr. Erhard.

No ano de 1979,

Pe. August Hülsmann era o responsável pela Pastoral Vocacional e foi o primeiro a usar a Cruz de Stegen em um trabalho vocacional. O primeiro modelo em metal foi desenvolvido por um joalheiro da cidade de Pforzheim, mas não agradou aos seus idealizadores. Foi então que Pe. August iniciou a fabricação da cruz na cidade de Idar-Oberstein, na região Sudoeste do país. A divulgação da cruz foi crescendo e encontrando cada vez mais admiradores. Posteriormente as cruzes começaram a ser produzidas em madeira na Itália, mas segundo Pe. August foi no Brasil que ele encontrou a variação mais bonita, cunhada em alumínio fosco e metal brilhante. A grande diferença na divulgação da Cruz Dehoniana foi feita por Pe. Zezinho na década de 1980, logo após sua turnê de shows na Alemanha. Em várias partes do mundo a Cruz Dehoniana foi conhecida por muito tempo como a “Cruz do Pe. Zezinho”.

O Brasão da Congregação continua o mesmo,

o Sagrado Coração na Cruz, mas como símbolo é Cruz Dehoniana a mais conhecida. O coração na cruz expressa a espiritualidade deixada por Pe. Dehon: o amor e a reparação. Esse carisma se concretiza num estilo de vida pessoal que tem por missão “instaurar o Reino do Coração de Jesus nas almas e na sociedade”. É preciso configurar o nosso coração ao coração do Cristo. Precisamos deixar Jesus fazer o nosso coração semelhante ao D`Ele.
 

Ouvir o Coração de Jesus bater Não desaprender a escutar as finas vibrações entre o céu e a Terra que falam da vida quando tudo parece morto.

Ouvir o Coração de Jesus bater Acolher sua maneira de refletir ir com o seu olhar de amor até as pessoas "Ir ao povo!" com o coração que está ferido, mas aberto às preocupações dos outros, até os medos e esperanças

Ouvir o Coração de Jesus bater Deixar se aproximar porque Ele está próximo de nós confiar uns nos outros, porque podemos confiar Nele dar proteção aos outros, porque nos sentimos protegidos Nele

Ouvir o Coração de Jesus bater Na confiança aceitar Sua companhia se ferir, mas não ferir os outros ver as feridas dos outros e tentar curá-las manter o coração aberto para os outros mesmo aqui em nosso meio

(Poema: Christa Prior, tradução Pe. Cleber Sanches, SCJ)