Data : 12/08/2017

Dados sujeitos a alteração sem aviso prévio.

O conteúdo deste material on-line não expressa, necessariamente, a nossa opinião.

Reportar erro

Homilia Dominical

Neste Domingo, vivemos aquilo que podemos chamar de a dinâmica do encontro. No Domingo passado, Jesus chama Pedro, Tiago e João e num encontro com Moisés e Elias e se revela como Deus e Senhor. Hoje, Deus vai ao encontro de Elias que se encontrava em dificuldades. Ele era jurado de morte depois da disputa que tivera com os sacerdotes de Baal; estava fugindo do perigo com medo de perder a vida; e Deus vem ao seu encontro com o conforto de uma brisa suave, como dizia a 1a leitura. A brisa suave, no Evangelho, chama-se Jesus. Também ele vai ao encontro dos discípulos em dificuldades, lutando contra as ondas, o vento e as tempestades da vida, simbolizado na cena dos discípulos lutando contra as águas, na barca. É sempre um encontro que traz a salvação, que traz a paz nos momentos que estamos atormentados, dizia o salmo responsorial. Atormentados internamente, como estava Elias, na 1a leitura e, atormentados por causas externas, como os discípulos no barco. Sempre Deus vem ao encontro para trazer a salvação e a paz.

Há um detalhe que merece ser considerado no encontro de Jesus com os discípulos em dificuldade. A palavra coragem. Quase sempre, nos momentos de dificuldades, confundimos as coisas, pensando que Deus vai resolver os nossos problemas e nos tirar, de modo mágico das situações. A 1a leitura e o Evangelho nos fazem compreender que a coisa não funciona bem assim. Deus vem ao nosso encontro, nos momentos de dificuldades com a sua paz, como socorreu Elias, na 1a leitura. Jesus vai ao encontro dos discípulos em dificuldades e lhes diz: “coragem”. Encoraja os discípulos, mas não lhes tira os remos das mãos. Ou seja, incentiva os discípulos a não terem medo das ondas e das tempestades da vida, mas eles devem continuar remando. Devem continuar firmes no seu propósito de ir para a outra margem da vida para não permanecer na dificuldade, no meio da tempestade. Ou seja, Deus nos concede a paz, nos concede a força, mas quem rema somos nós. Se ele entrar na barca da vida de cada um, a tempestade fica serena e remar não se torna tão pesado.

Se é verdade que Deus vem ao nosso encontro, como acabamos de mostrar, existe também o movimento de quem vai ao encontro de Deus. Jesus foi ao encontro de Deus pela oração silenciosa, na noite, depois de ter alimentado a multidão com pão. Pedro foi ao encontro de Jesus andando sobre as águas. O que representam estas águas sobre as quais Pedro caminhava? Representam a fragilidade de quem coloca os passos nas seguranças do mundo. Dito de outro modo: quem vive confiando somente nas coisas do mundo é parecido com Pedro caminhando sobre as águas. Tem a impressão da segurança, mas vive perseguido pelo medo de afundar de um momento para o outro. Um simples vento é capaz de desequilibrar e afundar na vida. Uma vez mais, compreendemos a importância de caminhar, mas colocando nossa confiança em Deus. E isso, volto a repetir, acontece quando sabemos buscar Deus no silêncio da oração, como fez Jesus, ensinando que a oração é a força que nos ajuda a caminhar sobre as águas.

Com certeza, conhecemos bem nossas dificuldades e as tempestades que nos ameaçam de todos os lados. Mas, cada vez que leio e reflito este Evangelho, me vem em mente uma pergunta: “quem é Jesus para mim”. Se olharmos para o lado espetacular, Jesus é alguém com super-poderes, como esse de andar sobre as águas. Se olharmos para o lado milagroso, vamos dizer que Jesus é alguém capaz de tudo, até mesmo de comandar a natureza e acalmar tempestades. Nenhum desses aspectos revela o modo ideal de conhecer quem é Jesus. O melhor modo é ouvindo-o dizer: “coragem, sou eu”. Porque é nessa frase que podemos confiar sempre na presença de Jesus. Ele não vem para dar espetáculo nem para fazer milagres, mas vem como incentivo para que rememos. Ele não tira de nós a realidade da vida, nem mesmo os problemas, mas se apresenta na barca de nossa vida serenando as tempestades e continua a nos dizer: coragem, é preciso remar sempre nas águas da vida. Jesus não tira os remos de nossa mão, apenas coloca paz na embarcação de nossa vida e nos incentiva a continuar vivendo com fé; a continuar remando sempre. Coragem, minha gente. Se você está com medo, abra os ouvidos na noite que esconde o Senhor e ele estará sussurrando em seu coração, como a brisa suave que envolveu Elias, e dizendo: “coragem. Sou eu”. Amém!

Lembramos hoje o dia dos pais. Dia que abrimos a semana nacional da Família aqui no Brasil com o lema FAMÍLIA, UMA LUZ PARA A VIDA EM SOCIEDADE. Deus abençoe nossas famílias e abençoe nossos pais. Amém.